Reduziu-se a pena. Outrora em papel, depois em blogues quando o formato se fez popular, e agora em fotografias, ícones crípticos, ou pequenas mensagens em redes sociais. A pena ao aparo, e este à esferográfica. Era uma vez. O aparo guardo em uso, os dedos nas redes já pouco.
Abandonei as redes há alguns anos. Não lhes tenho sentido a falta. Quase de repente – só quase – apercebi-me que a escrita nas redes era um vazio. Ninguém quer saber. Ninguém precisa. É como pegar num megafone e gritar palavras à janela. Mas ninguém quer saber disso. Ninguém nos perguntou nada. Queremos apenas dizer coisas e como achamos que as redes são sociais, dizêmo-las ali.
De um dia para o outro, deixei de escrever. Disse adeus sem o anunciar. Também ninguém quereria saber do meu adeus. Entre milhões, mais um. Aqui, porém, o universo é de um. É meu. Sou eu. Escrevo para lembrar. Para mim. Ninguém precisa de ler, mas se ler, nenhum mal resulta. Chegados aqui, retomo o que outrora era hábito, dos tempos antigos em que também eu tinha um blogue. E até era bastante apreciado. Tinha gente a ler e a comentar. As redes ainda serviam quase apenas para alimentar galinhas. Tudo tem um começo e um fim. O que tinha de terminar terminou, e isto começa aqui, agora.
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